domingo, 15 de setembro de 2013

Dissertação

Lira 29 Part. 2

  Esta dissertação tem por objetivo analisar a lira 29 da segunda parte do livro Marília de Dirceu, do autor Tomás Antônio Gonzaga, um dos maiores poetas do arcadismo brasileiro. O arcadismo é uma escola literária surgida na Europa no Século XVII. O nome ''arcadismo'' é uma referência à Arcádia, região campestre do Peloponeso, na Grécia antiga. O foco principal dessa dissertação é o amor, por ser muito presente nas obras de Tomás. Serão defendidos os valores e a ética que todos deveriam ter antes de amar.
  O amor é o nível ou grau de responsabilidade, utilidade e prazer com que lidamos com as coisas e pessoas que conhecemos. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação. É tido por muitos como a maior de todas as conquistas do ser.
  Valores e ética que todos deveriam ter antes de amar? Já há muito tempo poderíamos ter deduzido que a qualidade do amor entre um homem e uma mulher é determinante na qualidade da próxima geração. Quão diferentes são as crianças concebidas a partir do amor daquelas que são geradas somente a partir do sexo. A fornicação é um ato sexual sem o amor mental e espiritual. Portanto, é o sexo em troca de dinheiro, de paz no casamento, sexo a partir de curiosidade erótica, da vaidade, do auto abuso, sexo precoce, homossexualidade, sexo entre parentes, perversão, e especialmente sexo por prazer. Quando a relação sexual está baseada no amor espiritual, seu motivador é o desejo de proporcionar ao parceiro carinho, para equilibrar a energia sexual do espírito do parceiro. Então, é um ato de doação! Quando a relação sexual está baseada no egoísmo, sua motivação é de obter prazer somente para si. Como resultado destes motivos conflitantes: dar – receber, ações energéticas a partir de processos eróticos ocorrem completamente diferentes. Se o motivo é dar, então o parceiro recebe energia e é grato ao amor, sentindo-se revigorado e feliz. Não se sente cansado! Entretanto, se o motivo é apenas receber, então o espírito do parceiro é privado de energia e o resultado é uma sensação de cansaço, de desgosto, de futilidade. Deus proibiu as pessoas do ato da fornicação para seu próprio bem! O resultado da fornicação é a perda do poder sexual e vital. Não importa se acontece dentro ou fora do casamento. A sabedoria do amor também inclui a paternidade consciente e responsável, educação vem de berço, os valores positivos ensinados por nossos pais são de suma importância para o processo evolutivo de nossas vidas. Não existe árvore sem raiz. Então, como amar sem mesmo saber o que é o amor? O amor é um sentimento transmitido com a verdade, ou pelo menos deveria ser assim. Se não, não seria amor.
  Poucas pessoas conseguem a felicidade no amor. E isto acontece porque a maioria dos seres humanos se relaciona sempre tentando obter do outro o ideal de plenitude e êxtase com que tanto sonham. Focar nossa atenção nas qualidades do outro, mais do que em seus defeitos, e tentar não perder de vista os motivos que fizeram com que nos apaixonássemos por aquela pessoa, é essencial para que as fantasias se dissolvam e, finalmente, possamos viver a experiência do amor consciente.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

INDIGNAÇÃO

Alguém excluio o meu soneto que foi postado ontem...


Ilka Thaís 1º E Nº 16

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Soneto III- 4ª parte do trabalho

Soneto III

Enganei-me, enganei-me - paciência!

Acreditei às vezes, cri, Ormia,
Que a tua singeleza igualaria
A tua mais que angélica aparência.

Enganei-me, enganei-me - paciência!
Ao menos conheci que não devia
Pôr nas mãos de uma externa galhardia
O prazer, o sossego e a inocência.

Enganei-me, cruel, com teu semblante,
E nada me admiro de faltares,
Que esse teu sexo nunca foi constante.

Mas tu perdeste mais em me enganares:
Que tu não acharás um firme amante,
E eu posso de traidoras ter milhares.

Interpretação:

No soneto,Tomás Antônio Gonzaga,desabafa sobre o romance que teve com sua amante Ormia que o enganou.Fala que ele foi muito pela sua aparência e pode-se dizer que apostou muito no romance.E ele afirma que ela nunca irá encontrar um amante igual a ele;e ele sim poderam ter milhares de amantes.

Característica do Arcadismo no Soneto:

O soneto apresenta linguagem simples de fácil compreensão,as características são poucas.O soneto é composto de quartetos que é sim uma característica do Renascimento.

Situação Histórica:

Foi escrita depois de seu degredo

Glossário:

Galhardia:Característica de quem é elegante.

Emilia Luiza L. de Oliveira  nº:11   1º:''e''

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Lira III - III PARTE

Lira III 
Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho, e a rica, terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada serra.

Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.

Não verás derrubar os virgens matos;
Queimar as capoeiras ainda novas;
Servir de adubo à terra a fértil cinza;
Lançar os grãos nas covas.

Não verás enrolar negros pacotes
Das secas folhas do cheiroso fumo;
Nem espremer entre as dentadas rodas
Da doce cana o sumo.

Verás em cima da espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grande livros,
E decidir os pleitos.

Enquanto revolver os meus consultos.
Tu me farás gostosa companhia,
Lendo os fatos da sábia mestra história,
E os cantos da poesia.

Lerás em alta voz a imagem bela,
Eu vendo que lhe dás o justo apreço,
Gostoso tornarei a ler de novo
O cansado processo.

Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
Que tens quem leve à mais remota idade
A tua formosura.


Interpretação
Dirceu confessa seu amor pela pastora Marília. 
Nas primeiras estrofes fala sobre a exploração aurífera,da garimpagem,da agricultura e do trabalho pré-industrial.
Depois passa a elogiar a vida equilibrada e a atividade amena do letrado,da presença da ''pastora Marília''.
Diante de uma promessa total de dedicação a Maríllia,Dirceu proprõe que a beleza de sua  amada seja eternizada por sua lira.
Em um ambiente irreal da vida de casados,o poeta não só engrandece Marília mas á si mesmo.

Característica do Arcadismo na Lira

As características do arcadismo presente na lira é a aurea mediocritas(o culto da vida simples) e o pastoralismo que é a exaltação da vida no campo.

Situação Histórica

Foi escrita,provavelmente depois do seu exílio,pois não foi encontrado nenhum relato histórico

Glossário

Minada- escavada.
Granetes-pequenos grãos
Capoeiras:-mato nascido nas áreas em que se faz a derrubada de matas virgens.
Pleito- expressão jurídica para designar litígio,conflito
Fastos- registros públicos de fatos ou obras memoráveis.
Bateia:-gamela de madeira usada para a lavagem de areia ou cascalho que contenha mineirais preciosos.

Aluna:Emilia Luiza Loiola de Oliveira
nº:11 1º ''e''

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Lira IX- Parte III

 Lira IX


Chegou-se o dia mais triste
que o dia da morte feia;
caí do trono, Dircéia,
do trono dos braços teus,
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Ímpio Fado, que não pôde
os doces laços quebrar-me,
por vingança quer levar-me
distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, e vou sem ver-te,
que neste fatal instante
há de ser o teu semblante
mui funesto aos olhos meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

E crês, Dircéia, que devem
ver meus olhos penduradas
tristes lágrimas salgadas
correrem dos olhos teus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
De teus olhos engraçados,
que puderam, piedosos,
de tristes em venturosos
converter os dias meus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Desses teus olhos divinos,
que, terno e sossegados,
enchem de flores os prados
enchem de luzes os céus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Destes teus olhos, enfim,
que domam tigres valentes,
que nem rígidas serpentes
resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Da maneira que seriam
em não ver-te criminosos,
enquanto foram ditosos,
agora seriam réus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, Dircéia bela,
rasgando os ares cinzentos;
virão nas asas dos ventos
buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Talvez, Dircéia adorada,
que os duros fados me neguem
a glória de que eles cheguem
aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Mas se ditosos chegarem,
pois os solto a teu respeito,
dá-lhes abrigo no peito,
junta-os cos suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

E quando tornar a ver-te,
ajuntando rosto a rosto,
entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso

dizer-te, meu bem, adeus!



Esta lira retrata a descida do trono Dircéia, ou seja, Dirceu se separa de sua amada cidade.Diz que querem tirá-lo desta por pura vingança - Dirceu parte emfim e afirma que a lágrimas em teus olhos, pergunta se não há change de retrocesso.

"E quando tornar a ver-te,
 ajuntando rosto a rosto
,entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!"

Essa parte da lira é a prova de que não é um adeus final às terras africanas, mas uma viagem, sem dúvida um território mineiro. A prova esta na última estrofe onde implica a certeza de voltar em pouco tempo.A lira aborda um tema simples, a separação, apresenta a separação de Dirceu e sua amada Minas Gerais. Há presença da natureza, fauna e flora, o que lembra Horácio ao dizer "fugere urbem" (fugir da cidade), a rima também.Não se sabe ao certo qual período histórico  pois não há indícios de quando e onde (sabe-se apenas que estava em Minas Gerais) Dirceu estava, a lira parece uma lembrança. Glossário:
  • Ímpio -adj e s.m. Algo ou alguém que despreza a religião.
  • Que é contrário à religião: discurso ímpio.
  • Algo ou alguém que possui valores contrários aos que estão previamente estabelecidos pelo senso comum. 
  • Que ofende os pais, a moral, a justiça etc: indivíduo ímpio.
  • adj. Que demonstra ou possui falta de piedade.
  • (Etm. do latim: impius)
  • Fado-s.m. Fadário, destino, sorte.
  • Vaticínio, oráculo, profecia.
  • Canção popular portuguesa, dolente e triste; música e dança que acompanham essa canção.
  • S.m.pl. Forças misteriosas que se supõe dirigirem o destino: os fados não quiseram nossa felicidade.
  • Funesto-adj. Que provoca a morte, a desgraça: acidente funesto.
  • Nocivo, fatal.
  • Que prognostica a morte.
  • Deplorável, desventurado, infeliz.
  • Infausto, cruel, aterrador.
  • semblante- s.m. Rosto, cara, feições.
  • Fig. Aparência, fisionomia.
  • Ditosos-adj. Que tem boa sorte; venturoso, afortunado, feliz, felizardo.

        Aluna: Julia Rodarte Lage      Número:21              1º"E"

AVISO

INFORMO QUE A PARTIR DAS 21:30 HORAS NÃO TEREI COMO COMENTAR NENHUMA POSTAGEM.










GRATA,


ILKA THAIS

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Lira II Parte três

Em vão do amado
filho que foge,
Vênus quer hoje
notícias ter.
Sagaz e astuto
ele se esconde
em parte aonde
ninguém o vê.
Dos sinais dados,
bem se conhece
que ele aborrece
a mãe que tem.
Se os seus defeitos
Ela publica,
razão lhe fica
de se ofender.
Foge o menino
e, disfarçado,
vive abrigado
numa cruel.
Com mil carícias
a ímpia o trata;
nem o desata
do peito seu.
Se a semelhança
sempre amor gera,
deve uma fera
outra acolher.
Ah! se o teu nome,
Marília, calo,
que de ti falo
bem podes crer.


Introdução
 Essa lira começa falando de um menino que foge à procura de seu amor, aparentemente parece ter sido em vão, fugido na imaturidade, no impulso do momento. Vênus é a deusa do panteão romano, que nesta lira simboliza a mãe desse tal menino que teria fugido provavelmente de sua casa. Este menino se ospeda na casa de algúem,  que o trata bem com mil carícias.

"Se a semelhança
sempre amor gera,
deve uma fera
outra acolher."

 As pessoas estam alí prontas para serem amadas, nem sempre estam tão preparadas, mas todos merecemos um amor, tratar bem o próximo gera amor. Nesse trecho da lira consegui interpretar algo totalmente diferente daquilo esperado para esta lira porém, talvez tenha sido um aviso de Tomás Antônio Gonzaga, à alguns leitores que conseguissem entender de tal forma, assim como entendi.
 Dirceu encerra, falou pouco sobre Marília nessa lira, mas ainda sim fala.


Influências do Arcadismo
A lira dois começa, usando o nome da Deusa Vênus, é a deusa do amor e da beleza, apresentada como a principal apoiante dos heróis portuguêses.

Situação Histórica
 Nesta lira Tomás encontra-se degredado ( Termo português para um condenado exílio, situação corrente nos séculos XV a XVIII ). Nos primeiros anos das descobertas portuguesas, e de construção do império, os navios levavam um pequeno número de degredados, para auxiliar em tarefas consideradas demasiado perigosas ou onerosas para tripulantes comuns. Por exemplo, ao atingir uma praia desconhecida, um degredado ou dois eram geralmente desembarcados primeiro para testar se os habitantes nativos eram hortis.
 Tomás Antônio Gonzaga foi condenado a dez anos de degredo.

Glossário


* Sagaz - Que possui sagacidade; perspicaz, arguto: crítica sagaz.
Que não pode ou não se pode enganar; esperto.

* Astuto - adj. Característica de quem consegue obter privilégios para si e não se deixa usurpar ou ludibriar.
Qualidade de astucioso ou ardiloso.
Comportamento de quem pratica a maldade, especialmente, enganando outras pessoas.

* Ímpia  -adj e s.m. Algo ou alguém que despreza a religião.
Que é contrário à religião: discurso ímpio.
Algo ou alguém que possui valores contrários aos que estão previamente estabelecidos pelo senso comum.
Que ofende os pais, a moral, a justiça etc: indivíduo ímpio.
adj. Que demonstra ou possui falta de piedade.


* Desata - desda; desdas; desde.