quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Lira IX- Parte III

 Lira IX


Chegou-se o dia mais triste
que o dia da morte feia;
caí do trono, Dircéia,
do trono dos braços teus,
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Ímpio Fado, que não pôde
os doces laços quebrar-me,
por vingança quer levar-me
distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, e vou sem ver-te,
que neste fatal instante
há de ser o teu semblante
mui funesto aos olhos meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

E crês, Dircéia, que devem
ver meus olhos penduradas
tristes lágrimas salgadas
correrem dos olhos teus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
De teus olhos engraçados,
que puderam, piedosos,
de tristes em venturosos
converter os dias meus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Desses teus olhos divinos,
que, terno e sossegados,
enchem de flores os prados
enchem de luzes os céus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Destes teus olhos, enfim,
que domam tigres valentes,
que nem rígidas serpentes
resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Da maneira que seriam
em não ver-te criminosos,
enquanto foram ditosos,
agora seriam réus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, Dircéia bela,
rasgando os ares cinzentos;
virão nas asas dos ventos
buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Talvez, Dircéia adorada,
que os duros fados me neguem
a glória de que eles cheguem
aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Mas se ditosos chegarem,
pois os solto a teu respeito,
dá-lhes abrigo no peito,
junta-os cos suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

E quando tornar a ver-te,
ajuntando rosto a rosto,
entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso

dizer-te, meu bem, adeus!



Esta lira retrata a descida do trono Dircéia, ou seja, Dirceu se separa de sua amada cidade.Diz que querem tirá-lo desta por pura vingança - Dirceu parte emfim e afirma que a lágrimas em teus olhos, pergunta se não há change de retrocesso.

"E quando tornar a ver-te,
 ajuntando rosto a rosto
,entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!"

Essa parte da lira é a prova de que não é um adeus final às terras africanas, mas uma viagem, sem dúvida um território mineiro. A prova esta na última estrofe onde implica a certeza de voltar em pouco tempo.A lira aborda um tema simples, a separação, apresenta a separação de Dirceu e sua amada Minas Gerais. Há presença da natureza, fauna e flora, o que lembra Horácio ao dizer "fugere urbem" (fugir da cidade), a rima também.Não se sabe ao certo qual período histórico  pois não há indícios de quando e onde (sabe-se apenas que estava em Minas Gerais) Dirceu estava, a lira parece uma lembrança. Glossário:
  • Ímpio -adj e s.m. Algo ou alguém que despreza a religião.
  • Que é contrário à religião: discurso ímpio.
  • Algo ou alguém que possui valores contrários aos que estão previamente estabelecidos pelo senso comum. 
  • Que ofende os pais, a moral, a justiça etc: indivíduo ímpio.
  • adj. Que demonstra ou possui falta de piedade.
  • (Etm. do latim: impius)
  • Fado-s.m. Fadário, destino, sorte.
  • Vaticínio, oráculo, profecia.
  • Canção popular portuguesa, dolente e triste; música e dança que acompanham essa canção.
  • S.m.pl. Forças misteriosas que se supõe dirigirem o destino: os fados não quiseram nossa felicidade.
  • Funesto-adj. Que provoca a morte, a desgraça: acidente funesto.
  • Nocivo, fatal.
  • Que prognostica a morte.
  • Deplorável, desventurado, infeliz.
  • Infausto, cruel, aterrador.
  • semblante- s.m. Rosto, cara, feições.
  • Fig. Aparência, fisionomia.
  • Ditosos-adj. Que tem boa sorte; venturoso, afortunado, feliz, felizardo.

        Aluna: Julia Rodarte Lage      Número:21              1º"E"

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