sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Lira III - III PARTE

Lira III 
Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho, e a rica, terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada serra.

Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.

Não verás derrubar os virgens matos;
Queimar as capoeiras ainda novas;
Servir de adubo à terra a fértil cinza;
Lançar os grãos nas covas.

Não verás enrolar negros pacotes
Das secas folhas do cheiroso fumo;
Nem espremer entre as dentadas rodas
Da doce cana o sumo.

Verás em cima da espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grande livros,
E decidir os pleitos.

Enquanto revolver os meus consultos.
Tu me farás gostosa companhia,
Lendo os fatos da sábia mestra história,
E os cantos da poesia.

Lerás em alta voz a imagem bela,
Eu vendo que lhe dás o justo apreço,
Gostoso tornarei a ler de novo
O cansado processo.

Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
Que tens quem leve à mais remota idade
A tua formosura.


Interpretação
Dirceu confessa seu amor pela pastora Marília. 
Nas primeiras estrofes fala sobre a exploração aurífera,da garimpagem,da agricultura e do trabalho pré-industrial.
Depois passa a elogiar a vida equilibrada e a atividade amena do letrado,da presença da ''pastora Marília''.
Diante de uma promessa total de dedicação a Maríllia,Dirceu proprõe que a beleza de sua  amada seja eternizada por sua lira.
Em um ambiente irreal da vida de casados,o poeta não só engrandece Marília mas á si mesmo.

Característica do Arcadismo na Lira

As características do arcadismo presente na lira é a aurea mediocritas(o culto da vida simples) e o pastoralismo que é a exaltação da vida no campo.

Situação Histórica

Foi escrita,provavelmente depois do seu exílio,pois não foi encontrado nenhum relato histórico

Glossário

Minada- escavada.
Granetes-pequenos grãos
Capoeiras:-mato nascido nas áreas em que se faz a derrubada de matas virgens.
Pleito- expressão jurídica para designar litígio,conflito
Fastos- registros públicos de fatos ou obras memoráveis.
Bateia:-gamela de madeira usada para a lavagem de areia ou cascalho que contenha mineirais preciosos.

Aluna:Emilia Luiza Loiola de Oliveira
nº:11 1º ''e''

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Lira IX- Parte III

 Lira IX


Chegou-se o dia mais triste
que o dia da morte feia;
caí do trono, Dircéia,
do trono dos braços teus,
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Ímpio Fado, que não pôde
os doces laços quebrar-me,
por vingança quer levar-me
distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, e vou sem ver-te,
que neste fatal instante
há de ser o teu semblante
mui funesto aos olhos meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

E crês, Dircéia, que devem
ver meus olhos penduradas
tristes lágrimas salgadas
correrem dos olhos teus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
De teus olhos engraçados,
que puderam, piedosos,
de tristes em venturosos
converter os dias meus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Desses teus olhos divinos,
que, terno e sossegados,
enchem de flores os prados
enchem de luzes os céus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Destes teus olhos, enfim,
que domam tigres valentes,
que nem rígidas serpentes
resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Da maneira que seriam
em não ver-te criminosos,
enquanto foram ditosos,
agora seriam réus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, Dircéia bela,
rasgando os ares cinzentos;
virão nas asas dos ventos
buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Talvez, Dircéia adorada,
que os duros fados me neguem
a glória de que eles cheguem
aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Mas se ditosos chegarem,
pois os solto a teu respeito,
dá-lhes abrigo no peito,
junta-os cos suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

E quando tornar a ver-te,
ajuntando rosto a rosto,
entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso

dizer-te, meu bem, adeus!



Esta lira retrata a descida do trono Dircéia, ou seja, Dirceu se separa de sua amada cidade.Diz que querem tirá-lo desta por pura vingança - Dirceu parte emfim e afirma que a lágrimas em teus olhos, pergunta se não há change de retrocesso.

"E quando tornar a ver-te,
 ajuntando rosto a rosto
,entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!"

Essa parte da lira é a prova de que não é um adeus final às terras africanas, mas uma viagem, sem dúvida um território mineiro. A prova esta na última estrofe onde implica a certeza de voltar em pouco tempo.A lira aborda um tema simples, a separação, apresenta a separação de Dirceu e sua amada Minas Gerais. Há presença da natureza, fauna e flora, o que lembra Horácio ao dizer "fugere urbem" (fugir da cidade), a rima também.Não se sabe ao certo qual período histórico  pois não há indícios de quando e onde (sabe-se apenas que estava em Minas Gerais) Dirceu estava, a lira parece uma lembrança. Glossário:
  • Ímpio -adj e s.m. Algo ou alguém que despreza a religião.
  • Que é contrário à religião: discurso ímpio.
  • Algo ou alguém que possui valores contrários aos que estão previamente estabelecidos pelo senso comum. 
  • Que ofende os pais, a moral, a justiça etc: indivíduo ímpio.
  • adj. Que demonstra ou possui falta de piedade.
  • (Etm. do latim: impius)
  • Fado-s.m. Fadário, destino, sorte.
  • Vaticínio, oráculo, profecia.
  • Canção popular portuguesa, dolente e triste; música e dança que acompanham essa canção.
  • S.m.pl. Forças misteriosas que se supõe dirigirem o destino: os fados não quiseram nossa felicidade.
  • Funesto-adj. Que provoca a morte, a desgraça: acidente funesto.
  • Nocivo, fatal.
  • Que prognostica a morte.
  • Deplorável, desventurado, infeliz.
  • Infausto, cruel, aterrador.
  • semblante- s.m. Rosto, cara, feições.
  • Fig. Aparência, fisionomia.
  • Ditosos-adj. Que tem boa sorte; venturoso, afortunado, feliz, felizardo.

        Aluna: Julia Rodarte Lage      Número:21              1º"E"

AVISO

INFORMO QUE A PARTIR DAS 21:30 HORAS NÃO TEREI COMO COMENTAR NENHUMA POSTAGEM.










GRATA,


ILKA THAIS

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Lira II Parte três

Em vão do amado
filho que foge,
Vênus quer hoje
notícias ter.
Sagaz e astuto
ele se esconde
em parte aonde
ninguém o vê.
Dos sinais dados,
bem se conhece
que ele aborrece
a mãe que tem.
Se os seus defeitos
Ela publica,
razão lhe fica
de se ofender.
Foge o menino
e, disfarçado,
vive abrigado
numa cruel.
Com mil carícias
a ímpia o trata;
nem o desata
do peito seu.
Se a semelhança
sempre amor gera,
deve uma fera
outra acolher.
Ah! se o teu nome,
Marília, calo,
que de ti falo
bem podes crer.


Introdução
 Essa lira começa falando de um menino que foge à procura de seu amor, aparentemente parece ter sido em vão, fugido na imaturidade, no impulso do momento. Vênus é a deusa do panteão romano, que nesta lira simboliza a mãe desse tal menino que teria fugido provavelmente de sua casa. Este menino se ospeda na casa de algúem,  que o trata bem com mil carícias.

"Se a semelhança
sempre amor gera,
deve uma fera
outra acolher."

 As pessoas estam alí prontas para serem amadas, nem sempre estam tão preparadas, mas todos merecemos um amor, tratar bem o próximo gera amor. Nesse trecho da lira consegui interpretar algo totalmente diferente daquilo esperado para esta lira porém, talvez tenha sido um aviso de Tomás Antônio Gonzaga, à alguns leitores que conseguissem entender de tal forma, assim como entendi.
 Dirceu encerra, falou pouco sobre Marília nessa lira, mas ainda sim fala.


Influências do Arcadismo
A lira dois começa, usando o nome da Deusa Vênus, é a deusa do amor e da beleza, apresentada como a principal apoiante dos heróis portuguêses.

Situação Histórica
 Nesta lira Tomás encontra-se degredado ( Termo português para um condenado exílio, situação corrente nos séculos XV a XVIII ). Nos primeiros anos das descobertas portuguesas, e de construção do império, os navios levavam um pequeno número de degredados, para auxiliar em tarefas consideradas demasiado perigosas ou onerosas para tripulantes comuns. Por exemplo, ao atingir uma praia desconhecida, um degredado ou dois eram geralmente desembarcados primeiro para testar se os habitantes nativos eram hortis.
 Tomás Antônio Gonzaga foi condenado a dez anos de degredo.

Glossário


* Sagaz - Que possui sagacidade; perspicaz, arguto: crítica sagaz.
Que não pode ou não se pode enganar; esperto.

* Astuto - adj. Característica de quem consegue obter privilégios para si e não se deixa usurpar ou ludibriar.
Qualidade de astucioso ou ardiloso.
Comportamento de quem pratica a maldade, especialmente, enganando outras pessoas.

* Ímpia  -adj e s.m. Algo ou alguém que despreza a religião.
Que é contrário à religião: discurso ímpio.
Algo ou alguém que possui valores contrários aos que estão previamente estabelecidos pelo senso comum.
Que ofende os pais, a moral, a justiça etc: indivíduo ímpio.
adj. Que demonstra ou possui falta de piedade.


* Desata - desda; desdas; desde.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

LIRA VIII SEGUNDA PARTE !                                       


De que te queixas,
Língua importuna?
De que a Fortuna
Roubar-te queira
O que te deu?
Este foi sempre
O gênio seu.
Levou, Marília,
A ímpia sorte
Catões à morte;
Nem sepultura
Lhes concedeu.
Este foi sempre
O gênio seu.
A outros muitos,
Que vis nasceram,
Nem mereceram,
A grandes tronos
A ímpia ergueu.
Este foi sempre
O gênio seu.
Espalha a Cega
Sobre os humanos
Os bens, e os danos,
E a quem se devam
Nunca escolheu.
Este foi sempre
O gênio seu.
A quanto é justo
Jamais se dobra;
Nem igual obra
C’os mesmos Deuses
Do claro Céu.
Este foi sempre
O gênio seu.
Sobe, ao Céu, Vênus
Num carro ufano;
E cai Vulcano
Da pura esfera,
Em que nasceu.
Este foi sempre
O gênio seu.
Mas não me rouba,
Bem que se mude,
Honra, e virtude:
Que o mais é dela,
Mas isto é meu.
Este foi sempre
O gênio seu.

Amigo de Marilia argumenta sobre seu comportamento estranho aonde não reconhece sua mudança de pensar e agir então ele diz á ela você sempre teve esse gênio então bem que se mude Honra ele então Marilia retruca dizendo que isto é meu ou seja o gênio e ninguém mudara isso e termina dizendo mesmo que sobe ao céu , vênus e cai Vulcano este foi sempre o gênio seu .                          
O Arcadismo foi um movimento literário inspirado em uma lendária região , A Arcádia , da Grécia Antiga , essa região dominada pelos deus Pã . O Arcadismo quanto á forma : vocabulário simples , frases na ordem direta , ausência total quase de figuras de linguagem                                                           
Glossário : 
                                                 
Ufano : o ufanismo é a atitude ou posição tomada por determinados grupos que enaltecem o potencial brasileiro, suas belezas naturais, riquezas e potencial 
                                                            
Ímpia : O ímpio é o que anda nos caminhos contrários de Deus, ou seja, os que não seguem os seus mandamentos: roubam, matam, se prostituem, dentre outros.
                              
Importunar : aborrecer , atormentar  
                                         

Aluno : Felipe Anders , 1 ANO ‘ E ‘  !

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Segunda Parte-Lira II

Esprema a vil calúnia muito embora
Entre as mãos denegridas, e insolentes,
Os venenos das plantas,
E das bravas serpentes.

Chovam raios e raios, no meu rosto
Não hás de ver, Marília, o medo escrito:
O medo perturbador,
Que infunde o vil delito.

Podem muito, conheço, podem muito,
As fúrias infernais, que Pluto move;
Mas pode mais que todas
Um dedo só de Jove.

Este Deus converteu em flor mimosa,
A quem seu nome dera, a Narciso;
Fez de muitos os Astros,
Qu'inda no Céu diviso.

Ele pode livrar-me das injúrias
Do néscio, do atrevido ingrato povo;
Em nova flor mudar-me,
Mudar-me em Astro novo.

Porém se os justos Céus, por fins ocultos,
Em tão tirano mal me não socorrem;
Verás então, que os sábios,
Bem como vivem, morrem.

Eu tenho um coração maior que o mundo!
Tu, formosa Marília, bem o sabes:
Um coração..., e basta,
Onde tu mesma cabes.

Gonzaga escreve esse poema na prisão,ele diz que foi preso injustamente e que os tais condenadores não tem prova contra ele,assim que faz o verso "Entre as mãos denegridas,e insolentes" ele quis enfatizar o erro cometido pela população da época,que achavam que Gonzaga tinha conspirado contra  a Inconfidência Mineira.
Na Segunda estrofe ele diz que tem chorado muito,pois sente falta da amada e tem medo de não conseguir vê-la novamente.
Gonzaga dá bastante prioridade ao amor que tem por Marília e diz que o deus Pluto será justo quanto ao seu julgamento,e que Marília é a única mulher que sempre terá um lugar em seu coração.
  Uso proeminente de figuras mitológicas, exagero nas emoções e glorificação da mulher também destacam o que Gonzaga sofria na Ilha de Cobras durante sua exílio.

Glossário 
Vil : adj. m e adj.f. De valor pequeno; ordinário: sujeito vil; comportamento vil; empresa vil.
Aquilo que pode ser comprado sem gastar muito dinheiro: parecia jóia, mas era um colar vil. 
Falta de consideração; que incita o desdém; desprezível: bandido vil. 
Que não possui importância; insignificante: morava num vil apartamento. 
s.m. e s.f. Quem possui as características acima citadas; desprezível: pessoa vil. 
pl. vis. 
(Etm. do latim: villis.e)

pluto 
s. m.
1. [Linguagem poética]  Riqueza.
Poder da riqueza.

Aluna: Elaine Barbosa Dos Santos                   N°: 10   Série/Turma: 1º "E" 
Lira IX

A estas horas
Eu procurava
Os meus Amores;
Tinham-me inveja
Os mais Pastores.

A porta abria,
Inda esfregando
Os olhos belos,
Sem flor, nem fita,
Nos seus cabelos.

Ah! que assim mesmo
Sem compostura,
É mais formosa,
Que a estrela d'alva,
Que a fresca rosa.

Mal eu a via,
Um ar mais leve,
(Que doce efeito!)
Já respirava
Meu terno peito.

Do cerco apenas
Soltava o gado,
Eu lhe amimava
Aquela ovelha
Que mais amava.

Dava-lhe sempre
No rio, e fonte,
No prado, e selva,
Água mais clara,
Mais branda relva.

No colo a punha;
Então brincando
A mim a unia;
Mil coisas ternas
Aqui dizia.

Marília vendo,
Que eu só com ela
É que falava,
Ria-se a furto,
E disfarçava.

Desta maneira
Nos castos peitos,
De dia em dia
A nossa chama
Mais se acendia.

Ah! quantas vezes,
No chão sentado,
Eu lhes lavrava
As finas rocas,
Em que fiava!

Da mesma sorte
Que à sua amada,
Que está no ninho,
Fronteiro canta
O passarinho;

Na quente sesta,
Dela defronte,
Eu me entretinha
Movendo o ferro
Da sanfoninha.

Ela por dar-me
De ouvir o gosto,
Mais se chegava;
Então vaidoso
Assim cantava:

"Não há Pastora,
"Que chegar possa
"À minha Bela,
"Nem quem me iguale
"Também na estrela;

"Se amor concede
"Que eu me recline
"No branco peito,
"Eu não invejo
"De Jove o feito;

"Ornam seu peito
"As sãs virtudes,
"Que nos namoram;
"No seu semblante
"As Graças moram."

Assim vivia...
Hoje em suspiros
O canto mudo;
Assim, Marília,
Se acaba tudo. 


.Introdução:
Na Lira IX,Tomás não só descreve a beleza e exuberância de Marília,como também fala de seus momentos  juntos.Ele relata Marília como uma mulher especial e inigualável.Lembrando que é uma comparação da vida dele antescom Marília com a que agora ele passa durante sua sentença em na prisão de Fortaleza.
 No poema,Tomás está a procura de Marília,enquanto outros ``Pastores´´ sentem inveja por viverem em suas próprias vidas de solidão.Assim que ela surge pela porta,Tomás se enche de inspiração e paixão,sentindo cada detalhe da presença dela a sua frente.Em seguida ele descreve a cena como uma situação no campo,Marília como a ovelha acolhida por Tomás,o pastor.Os trechos em seguidas contam momentos que tiveram de uma relação aconchegante e ardente.E assim ele conta sua história de amor,Marília como a mulher inocente e delicada e Tomas como um exemplo de amante dependente do amor pela Marília.
Arcadismo:
Além da Lira ,em visão geral ,ser de idealização da amada,já que diversas vezes ele fala de Marília como serena e perfeita, ela também pode ser apontada como de convencionalismo amoroso e bucolismo. Nas estrofes:
 Do cerco apenas 
Soltava o gado, 
Eu lhe amimava 
Aquela ovelha 
Que mais amava. 
.Convencionalismo amoroso: Se referindo como pastor e Marília como sua ovelha acolhida.

Dava-lhe sempre
No rio, e fonte,
No prado, e selva,
Água mais clara,
Mais branda relva. 

Bucolismo: Na estrofe ele oferece a Marília o melhor que a natureza pode lhe oferecer.

Glossário:
.Cerco; Estrategia militar onde os soldados cercam o perímetro ou o inimigo com armas de assédio.
.Prado : um campo plano ou de relevo suave para cultivação de graminais.
.Furto: retirar a coisa do legítimo possuidor contra a vontade deste.``Ria-se a furto´´,lhe roubava um sorriso.
.Casto(``castos peitos´´): que se abstém (recusa) de prazeres sexuais;Seios puros,inocentes ou castidade.
.Lavrava: bordar,construir (Bordava as finas rocas)
.Fronteiro :de frente
.Sesta: hora de descanso ou dormir após refeição
;Defronte: cara-a-cara
.Semblante: rosto,fisionomia.

Obs: Devido a mudança de descrição da característica de Marília é possível que ela seja uma musa inspiradora e não uma pessoa real.



Danielly de Fátima Vieira Medeiros Nunes 
nº:07    1ºano/turma: ''E''

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Lira XXI


Que diversas que são, Marília, as horas,
Que passo na masmorra imunda, e feia,
Dessas horas felizes, já passadas
Na tua pátria aldeia!
Então eu me ajuntava com Glauceste;
E à sombra de alto Cedro na campina
Eu versos te compunha, e ele os compunha
À sua cara Eulina.
Cada qual o seu canto aos Astros leva;
De exceder um ao outro qualquer trata;
O eco agora diz: “Marília terna”;
E logo: “Eulina ingrata”.
Deixam os mesmos Sátiros as grutas.
Um para nós ligeiro move os passos;
Ouve-nos de mais perto, e faz flauta
C’os pés em mil pedaços.
“Dirceu, clama um Pastor, ah! bem merece
“Da cândida Marília a formosura.
“E aonde, clama o outro, quer Eulina
“Achar maior ventura?”
Nenhum Pastor cuidava do rebanho,
Enquanto em nós durava esta porfia.
E ela, ó minha Amada, só findava
Depois de acabar-se o dia.
À noite te escrevia na cabana
Os versos, que de tarde havia feito;
Mal tos dava, e os lia, os guardavas
No casto e branco peito.
Beijando os dedos dessa mão formosa,
Banhados com as lágrimas do gosto,
Jurava não cantar mais outras graças,
Que as graças do teu rosto.
Ainda não quebrei o juramento,
Eu agora, Marília, não as canto;
Mas inda vale mais que os doces versos
A voz do triste pranto.


Introdução
 A lira começa revelando que Dirceu passava muitas horas na masmorra imunda, entediado buscava alegria na mulher amada, lembrava quando juntava-se com seu amigo Glauceste ( Cláudio Manuel da Costa poeta e advogado de prestígio que também participou da inconfidência Mineira) e a sombra do alto Cedro compunha versos a Marília e Glauceste compunha a Eulina, sua mulher amada, Marília correspondia o amor enquanto que Eulina era chamada de ingrata. Dirceu e seu amigo comparavam suas amadas, a discussão só acabava ao final do dia. Anoite na cabana  Dirceu escrevia versos que de tarde avia feito, e os guardavam no casto peito.
 "Ainda não quebrei o juramento,

Eu agora, Marília, não as canto;
Mas inda vale mais que os doces versos"
Dirceu sofria muito com a ausência de sua amada.

Influência do Arcadismo


 A influência do Arcadismo nesta lira é a presença de ícones da mitologia grega ( Sátiro),  e a exaltação da natureza.

Situação histórica

Tomás Antônio Gonzaga foi preso no ano de 1789, quando ocorreu a inconfidência mineira que foi um dos
mais importantes movimentos sociais da história  do Brasil.
Glossário
1.Masmorra - Prisão subterrânea e escura.

2.Terna - Meiga

3.Sátiros - Os Sátiros são seres mitológicos masculinos da Grécia Antiga.

4.Porfia -Discussão, disputa, contenda pertinaz com palavras.
Perseverança, pertinácia, obstinação.

5. Findava - Pôr fim a.
Finalizar.

6.Casto - Que tem pureza de alma, de corpo.


Ilka Thais Nº 16
1º E

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Lira V


Os mares, minha bela, não se movem;
O brando norte assopra, nem diviso
Uma nuvem sequer na esfera toda;
O destro nauta aqui não é preciso;
Eu só conduzo a nau, eu só modero
Do seu governo a roda.
Mas ah! que o sul carrega, o mar se empola,
Rasga-se a vela, o mastaréu se parte!
Qualquer varão prudente aqui já teme;
Não tenho a necessária força e arte.
Corra o sábio piloto, corra e venha
Reger o duro leme.
Como sucede à nau no mar, sucede
Aos homens na ventura e na desgraça;
Basta ao feliz não ter total demência;
Mas quem de venturoso a triste passa,
Deve entregar o leme do discurso
Nas mãos da sã prudência.
Todo o céu se cobriu, os raios chovem;
E esta alma, em tanta pena consternada,
Nem sabe aonde possa achar conforto.
Ah! não, não tardes, vem, Marília amada,
Toma o leme da nau, mareia o pano
Vai-a salvar no porto!
Mas ouço já de Amor as sábias vozes:
Ele me diz que sofra, se não, morro;
E perco então, se morro, uns doces laços.
Não quero já, Marília, mais socorro;
Oh! ditoso sofrer, que lucrar pode
A glória dos teus braços!

Nesta lira Dirceu se encontra em alto mar, navegando em águas tranquilas e com o vento suave, onde não era necessário ter um piloto, pois a embarcação seguia seu caminho. Porém ao carregar o vento sul o mar fica bravio rasgando a vela e partindo o mastro, onde homens com coragem (essa frase é absolutamente machista, o que combina com aquela época.) sentem medo . Dirceu não tem forças e pede ao piloto que tente mover o leme e guiar a embarcação, sem sucesso,  esta fica a deriva, homens com esperança ficam na desgraça, não tendo algum controle emocional, Dirceu tenta recuperar o controle da embarcação, todavia a tempestade aumenta, e em seu pensamento procura conforto na mulher amada, Marília, quando retoma o leme e  tenta levar a embarcação de volta ao porto.
"Vai-a salvar no porto!
Mas ouço já de Amor as sábias vozes:
Ele me diz que sofra, se não, morro;
E perco então, se morro, uns doces laços.
Não quero já, Marília, mais socorro;
Oh! ditoso sofrer, que lucrar pode
A glória dos teus braços!"
Nesses versos Dirceu nos deixa pensar que o navio afunda.
Nesta lira encontra-se características arcadistas ao valorizar a natureza (os mares, o vento,etc.) , sua linguagem clara (para alguns) e possui regras definidas, como a rima. Apesar de lembrar de Marília, Dirceu, continua a viver o presente e encontra rapidamente saídas para as dificuldades.
Dirceu foi exilado em 23 de maio de 1792, ano de punição exemplar, quando os participantes da inconfidência tiveram suas sentenças lidas, muitos foram condenados à morte, mas tiveram suas penas comutadas por prisão ou degredo na África. Tiradentes foi o único condenado à morte que não obteve clemência. Tiradentes era pobre e tinha pouca instrução, diferente dos outros inconfidentes.Seu empenhoem defender  os ideais do grupo durante o julgamento, o deixaram vulnerável, sendo, então, o alvo perfeito para as autoridades coloniais. Sua execução  ocorreu no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1972. Sua cabeça foi exposta no alto do poste da praça central de Vila Rica, atualmente conhecida como Ouro Preto (MG).
Glossário:
  1. Brando- que cede a pressão; mole; suave, fraco; leve; pouco energético; afável , meigo
  2. Nauta- navegante; marinheiro.
  3. Nau- embarcação mercante de grande lote.
  4. Mastaréu- pequeno mastro complementar.
  5. Leme - peça móvel que imprime direção ao navio.
  6. Demência- desarranjo mental.
  7. Mareia - governar (a embarcação).
  8. Ditoso- feliz, venturoso.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ATIVIDADE EXTRA

Aliteração

Lira XV
Beije pois torpe avarento 
As arcas de barras cheias:
Eu não beijo os vis tesouros,
Beijo as douradas cadeias,
Beijo as setas, beijo as armas
Com que o cego Amor venceu:
Bens, que valem sobre a terra,
 E que têm valor no Céu

Lira x:
Se a seta falta,
Tem outra pronta,
Que a dura ponta
Jamais torceu.
Ninguém resiste
Aos golpes dela:
Marília bela
Foi quem lha deu.

Lira II

Porém eu, Marilia, nego,
Que assim seja Amor;pois ele 
Nem é moço, nem é cego,
Nem setas, nem asas tem.
Ora pois, eu vou formar-lhe
Um retrato mais perfeito,
Que ele já feriu meu peito;
Por isso o conheço bem.


Emilia Luiza Loiola de Oliveira
nº:11 1º ''e''

Lira xlv

                          Lira XIV   
Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos Deuses
Sujeitos ao poder ímpio Fado:
Apolo já fugiu do Céu brilhante,
Já foi Pastor de gado.

A devorante mão da negra Morte
Acaba de roubar o bem, que temos;
Até na triste campa não podemos
Zombar do braço da inconstante sorte.
Qual fica no sepulcro,
Que seus avós ergueram, descansado;
Qual no campo, e lhe arranca os brancos ossos
Ferro do torto arado.

Ah! enquanto os Destinos impiedosos
Não voltam contra nós a face irada,
Façamos, sim façamos, doce amada,
Os nossos breves dias mais ditosos.
Um coração, que frouxo
A grata posse de seu bem difere,
A si, Marília, a si próprio rouba,
E a si próprio fere.

Ornemos nossas testas com as flores.
E façamos de feno um brando leito,
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Gozemos do prazer de sãos Amores.
Sobre as nossas cabeças,
Sem que o possam deter, o tempo corre;
E para nós o tempo, que se passa,
Também, Marília, morre.

Com os anos, Marília, o gosto falta,
E se entorpece o corpo já cansado;
triste o velho cordeiro está deitado,
e o leve filho sempre alegre salta.
A mesma formosura
É dote, que só goza a mocidade:
Rugam-se as faces, o cabelo alveja,
Mal chega a longa idade.

Que havemos de esperar, Marília bela?
Que vão passando os florescentes dias?
As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;
E pode enfim mudar-se a nossa estrela.
Ah! Não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças
E ao semblante a graça.


Interpretação 
Trata-se da versão neoclássica do Carpe diem, tema já explorado pelo barroco,que significa colher o dia,aproveitar o dia presente.O sentido é de que devemos aproveitar as ocasiões que elas apresentam;o ser humano não deve ser inquieto com o amanhã,e sim saber que pertence aos deuses,enquanto  nos preocupamos com o que não nos cabe,o tempo voa.Devemos portanto saber reconhecer quais as ocasiões favoráveis para se aproveitar.A vida é breve e devemos aproveitar bastante dela sem desperdiçar tempo .
Características do Arcadismo e da lira
O Arcadismo, também conhecido como Neoclassicismo, surgiu no continente europeu no século XVIII, durante uma época de ascenção da burguesia e de seus valores sociais, políticos e religiosos. Esta escola literária caracterizava-se pela valorização da vida bucólica e dos elementos da natureza. O nome originou-se de uma região grega chamada Arcádia (morada do deus Pan).
 Na lira para o arcadismo a vida do pastor ,singela e próxima da natureza,é bela e pura.No entanto os versos ''Apolo já fugiu do céu brilhante/ já foi pastor de gado'' criam uma imagem dentro da qual estar no céu é positivo (felicidade) e ser pastor é negativo(degradação).Portanto a imagem contida nos versos é surpreendente quando percebemos que ela conturba o tema árcade da vida pastorial como ideal a ser buscado (locus amoenus).dentre várias características árcades presente no poema destaca-se a valorização da mitologia e do paganismo.

Glossário:
Ventura:felicidade 
Ímpio fado:impedioso destino
Apolo:Deus grego
Campa:Sepulcro e túmulo
Ditosos:felizes
Difere:adia
Laço:abraço
Sãos:honestos
Leve:brincalhão
Dote:bem,prêmio
Alveja:embranquece
Estrela:destino
Graça:beleza

Esta é uma das mais significantes liras de Gonzaga:além de ser uma apologia da mocidade e uma alerta quanto as passar do tempo.

Emilia Luiza Loiola de Oliveira
nº:11    1º ''e''

Lira I

Lira I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores, que habitam este monte,
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Ao som dela concerto a voz celeste;
Nem canto letra, que não seja minha,
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Mas tendo tantos dotes da ventura,
Só apreço lhes dou, gentil Pastora,
Depois que teu afeto me segura,
Que queres do que tenho ser senhora.
É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho, que cubra monte, e prado;
Porém, gentil Pastora, o teu agrado
Vale mais q’um rebanho, e mais q’um trono.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!


Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!



Glossário

Tosco: rude, rústico.

Dos: pelos.

Casal: sítio, pequena propriedade rural, moradia própria.

Assisto: resido, moro.

Semblante: rosto, fisionomia.

Inda: ainda.

Cortado: enrugado.

Destreza: habilidade.

Concerto: harmonizo com, entro em concerto com.

Dotes: bens.

Ventura: felicidade.

Apreço: valor.



Interpretação

A Lira I, que abre a obra Marília de Dirceu, o eu lírico, um apaixonado por Marília que demonstra seu amor com  palavras simples. Conformado com a sua sorte, convicto de seu papel, realizando um ideal de vida equilibrada, sem excessos e associada à natureza, nega à sua amada que é um simples pastor. Dirceu, faz uma série de afirmações no sentido de estabelecer claramente a sua condição  social: "não sou vaqueiro que cuide do gado alheio; tenho casa própria, moro nela, tenho bens de que me sustento", o que sugere tratar de alguém, um vaqueiro  merecedor, do amor de Marília. Depois de deixar clara sua condição, o eu lírico realça outro aspecto importante: sem o amor de Marília, de nada vale propriedades, juventude, talento. Se todos esses atributos são importantes, o agrado de Marília vale mais que a riqueza  ou o poder.



Características do Arcadismo e da Lira

A primeira característica do Arcadismo que chama a atenção logo no início do texto é a simplicidade. O bucolismo está bastante evidente nessa lira e a maior parte do vocabulário apresenta termos ligados à vida no campo. Observe que está inteiramente de dedicado à natureza, paisagem campestre evocada pelo poeta, que fala de vaqueiro, gado, ovelha etc.


Situação Histórica
A poesia  de Tomás António Gonzaga apresenta as típicas características árcades  e neoclássicas: o pastoril, o bucólico, a natureza amena, o equilíbrio etc. Paralelamente, possui características pré românicas, principalmente na segunda parte de Marília de Dirceu, escrita na prisão, confissões de sentimento pessoal, ênfase emotiva estranha aos padrões do neoclassicismo, descrição de paisagens brasileiras, etc.



Gislayne Alves, nº: 15, 1º E

Atividade extra

Aliteração

Repetição de sons idênticos ou semelhantes num mesmo verso ou ao longo de uma estrofe.

Lira XIV

Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte desse mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Então os mesmo deuses
Sujeitos ao poder do ímpio fado:
Apolo já fugiu do céu brilhante,
Já foi pastor de gado.

Lira XIII

Oh! Quantos riscos,
Marília bela,
Não atropela
Quem, cego, arrasta
Grilhões de amor!
Um peito forte,
De acordo falto,
Zomba do assalto
Do viu traidor.

Lira XXV

Minha Marília,
O passarinho,
A quem roubaram
Ovos e ninho,
Mil vezes pousa
No seu raminho;
Piando finge
Quem anda a chorar.
Mas logo voa
Pela espessura,
Nem mais procura
Este lugar.

Alerrandra Rodrigues de Castro
N° 01
1° E

Atividade Extra

A aliteração é  a figura de linguagem que consiste na repetição de determinados elementos fônicos, ou seja, sons consonantais idênticos ou semelhantes.Veja 3 exemplos extraídos do livro Marília de Dirceu: 

1. Lira IV

"Marília, teus olhos
são réus culpados"
               
              *

2. Lira X

"Se existe um peito,
que isento viva
Da chama ativa,
Que acende Amor,
Ah! não habite
Neste montado,
Fuja apressado
Do vil traidor"


             *

3.Lira X


"Jamais se cobrem
Seus membros belos;
E os seus cabelos
Que lindos são!
Vendados olhos,
Que tudo alcançam,
E jamis lançam
A seta em vão!

            
             *

Aluna: Julia Rodarte Lage
Número: 21
1º"E"