terça-feira, 20 de agosto de 2013

Lira V


Os mares, minha bela, não se movem;
O brando norte assopra, nem diviso
Uma nuvem sequer na esfera toda;
O destro nauta aqui não é preciso;
Eu só conduzo a nau, eu só modero
Do seu governo a roda.
Mas ah! que o sul carrega, o mar se empola,
Rasga-se a vela, o mastaréu se parte!
Qualquer varão prudente aqui já teme;
Não tenho a necessária força e arte.
Corra o sábio piloto, corra e venha
Reger o duro leme.
Como sucede à nau no mar, sucede
Aos homens na ventura e na desgraça;
Basta ao feliz não ter total demência;
Mas quem de venturoso a triste passa,
Deve entregar o leme do discurso
Nas mãos da sã prudência.
Todo o céu se cobriu, os raios chovem;
E esta alma, em tanta pena consternada,
Nem sabe aonde possa achar conforto.
Ah! não, não tardes, vem, Marília amada,
Toma o leme da nau, mareia o pano
Vai-a salvar no porto!
Mas ouço já de Amor as sábias vozes:
Ele me diz que sofra, se não, morro;
E perco então, se morro, uns doces laços.
Não quero já, Marília, mais socorro;
Oh! ditoso sofrer, que lucrar pode
A glória dos teus braços!

Nesta lira Dirceu se encontra em alto mar, navegando em águas tranquilas e com o vento suave, onde não era necessário ter um piloto, pois a embarcação seguia seu caminho. Porém ao carregar o vento sul o mar fica bravio rasgando a vela e partindo o mastro, onde homens com coragem (essa frase é absolutamente machista, o que combina com aquela época.) sentem medo . Dirceu não tem forças e pede ao piloto que tente mover o leme e guiar a embarcação, sem sucesso,  esta fica a deriva, homens com esperança ficam na desgraça, não tendo algum controle emocional, Dirceu tenta recuperar o controle da embarcação, todavia a tempestade aumenta, e em seu pensamento procura conforto na mulher amada, Marília, quando retoma o leme e  tenta levar a embarcação de volta ao porto.
"Vai-a salvar no porto!
Mas ouço já de Amor as sábias vozes:
Ele me diz que sofra, se não, morro;
E perco então, se morro, uns doces laços.
Não quero já, Marília, mais socorro;
Oh! ditoso sofrer, que lucrar pode
A glória dos teus braços!"
Nesses versos Dirceu nos deixa pensar que o navio afunda.
Nesta lira encontra-se características arcadistas ao valorizar a natureza (os mares, o vento,etc.) , sua linguagem clara (para alguns) e possui regras definidas, como a rima. Apesar de lembrar de Marília, Dirceu, continua a viver o presente e encontra rapidamente saídas para as dificuldades.
Dirceu foi exilado em 23 de maio de 1792, ano de punição exemplar, quando os participantes da inconfidência tiveram suas sentenças lidas, muitos foram condenados à morte, mas tiveram suas penas comutadas por prisão ou degredo na África. Tiradentes foi o único condenado à morte que não obteve clemência. Tiradentes era pobre e tinha pouca instrução, diferente dos outros inconfidentes.Seu empenhoem defender  os ideais do grupo durante o julgamento, o deixaram vulnerável, sendo, então, o alvo perfeito para as autoridades coloniais. Sua execução  ocorreu no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1972. Sua cabeça foi exposta no alto do poste da praça central de Vila Rica, atualmente conhecida como Ouro Preto (MG).
Glossário:
  1. Brando- que cede a pressão; mole; suave, fraco; leve; pouco energético; afável , meigo
  2. Nauta- navegante; marinheiro.
  3. Nau- embarcação mercante de grande lote.
  4. Mastaréu- pequeno mastro complementar.
  5. Leme - peça móvel que imprime direção ao navio.
  6. Demência- desarranjo mental.
  7. Mareia - governar (a embarcação).
  8. Ditoso- feliz, venturoso.

3 comentários:

  1. Julia, no início de sua interpretação eu demorei entender porque você disse que não necessário ter um piloto na embarcação. Procure se expressar melhor.

    Ilka Thaís Nº 16
    1º E

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  2. Ilka quando eu disse que não era necessário um piloto quis dizer que a embarcação precisava apenas ser direcionada, só para não vagar sem rumo.
    Melhorou sua interpretação?
    Julia Rodarte Lage
    Número:21
    1° "E"

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  3. Agora entendi completamente...

    Ilka Thais Nº 16
    1º E

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