quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Lira VIII

Marília, de que te queixas?
De que te roubou Dirceu
O sincero coração?
Não te deu também o seu?
 E tu, Marília, primeiro
Não lhe lançaste o grilhão?
                Todos amam: só Marília
                Desta Lei da Natureza
                Queria ter isenção?
Em torno das castas pombas,
Não rulam ternos pombinhos?
E rulam, Marília, em vão?
Não se afagam c’os biquinhos?
E a prova de mais ternura
Não os arrasta a paixão?
                Todos amam: só Marília
                Desta Lei da Natureza
                Queria ter isenção?
Já viste, minha Marília,
Avezinhas, que não façam
Os seus ninhos no verão?
Aquelas, com que se enlaçam,
Não vão cantar-lhes defronte
Do mole pouso, em que estão?
                Todos amam: só Marília
                Desta Lei da Natureza
                Queria ter isenção?
Se os peixes, Marília, geram
Nos bravos mares, e rios,
Tudo efeitos de Amor são.
Amam os brutos ímpios,
A serpente venenosa,A onça, o tigre, o leão.
                 Todos amam: só Marília
                 Desta Lei da Natureza
                 Queria ter isenção?
As grandes Deusas do Céu
Sentem a seta tirana
Da amorosa inclinação.
Diana, com ser Diana,
Não se abrasa, não suspira
Pelo amor de Endimião?
                 Todos amam: só Marília
                 Desta Lei da Natureza
                Queria ter isenção?
Desiste, Marília bela,
De uma queixa sustentada
Só na altiva opinião.
Esta chama é inspirada
Pelo Céu; pois nela assenta
A nossa conservação.
                Todos amam: só Marília
                Desta Lei da Natureza
                Não deve ter isenção.



              Marília te medo de amar, e Dirceu, galante, explica a sua amada que o amor é uma grande lei da natureza e que todos a obedecem. Afirma também que é por meio do amor que as raças conservam-se.
              Essa lira possui características do neoclassicismo ( o arcadismo) ao citar deuses greco-romanos Diana (na mitologia grega também chamada de Ártemis, deusa da Lua e da caça.) e Cupido (também conhecido como Amor,era o deus equivalente em romano deus Eros.), o autor do livro, Tomás Antônio Gonzaga,, morou em Minas Gerais, onde nasceu o arcadismo no Brasil. As liras do livro possuem regularidade métrica e rimas.
               A época em que este livro foi escrito foi marcada pela valorização da razão humana, pela queda do clero e pelo fortalecimento de ideias renascentistas.



Glossário:
  • Grilhão - corrente de ouro forte de metal; cordão de ouro; figurado: laço,algema,prisão.
  • Defronte - em frente; diante; em face.
  • Ímpio - aquele que não tem compaixão.
  • Altiva - que tem altivez, brioso;orgulhoso; sublime; impetuoso


Aluna: Julia Rodarte Lage 
Número: 21
1º "E"  

4 comentários:

  1. Gostei bastante da sua lira escolhida. Achei bem interessante o modo como o autor se expressou, porque afinal todos os seres amam por natureza.

    Ilka Thaís Nº 16
    1º E

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  2. Na minha opinião faltou um pouco mais de interpretação sobre a lira escolhida.

    Alerrandra Rodrigues de Castro
    N° 01
    1° E

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  3. Concordo com a Alerrandra, poderia ter explicado com mais detalhes. Acho que você resumiu demais.

    Gislayne Alves, nº: 15, 1º E.

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  4. Gostei sim da lira!
    Por Marilia ter medo de amar,e Dirceu ensina a ela que o amor é a grande natureza do ser humano;isso é a pura verdade.
    Porque se não tivermos o nosso própio amor no coração não podemos dar isso á ninguem.

    Emilia Luiza Loiola de Oliveira
    nº 11 1º ''e''

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